Exame obrigatório pode elevar a qualidade da formação médica
A medicina depende de preparo técnico, experiência prática e compromisso ético. Quando cursos são criados apenas para gerar lucro, sem hospital-escola, sem professores com formação acadêmica e sem laboratórios adequados, o risco deixa de ser abstrato: ele chega ao consultório e ao pronto-socorro, atingindo diretamente a população.
É nesse contexto que um exame obrigatório ganha importância. Mais do que uma barreira burocrática, a prova funciona como instrumento de proteção social, ajudando a separar quem realmente acumulou conhecimento mínimo para atuar de forma segura daqueles que foram formados em condições precárias.
O ponto central, porém, não é transferir toda a responsabilidade para o aluno recém-formado. Se a graduação médica foi oferecida sem estrutura, supervisão e prática suficientes, o problema está na origem. Por isso, a avaliação deve caminhar junto com fiscalização rigorosa sobre a abertura e o funcionamento das faculdades, especialmente as que ignoram critérios básicos de qualidade.
Defender um exame de habilitação é defender o paciente, mas também é defender a própria medicina. Uma profissão que lida diariamente com vidas humanas não pode aceitar atalhos. Formar bem custa esforço, investimento e compromisso institucional; fingir que isso pode ser substituído por mensalidades altas é um risco que a sociedade não deveria aceitar.